Livros são permeados por ideias. Mas não só isso. Nas folhas, numeradas talvez por uma questão de conveniência, livros estão prontos para acolher e estão prontos para ser abertos a fim de expressar o que de humano habita em nós. Se um livro foi escrito, é porque alguém usou as palavras para insinuar, propor, ou se preferir, manifestar, ou ainda, dissimular, velar ou mesmo explicitar, em algum momento da vida e por meio de seu ponto de vista, o que nele há de pessoal. Livros não deixam de ser um tópos onde as pessoas vivem. Por isso, livros também são permeados por olhos observadores nos mais variados formatos e espectro de cores, expressões gestuais, corporais ou faciais, peles em suas diferentes tonalidades e texturas, cabelos em seus mais diversos cortes, tipos e estilos – inclusive a escassez –, suores, cheiros, músculos, fibras nervosas, vísceras, células, ossos, sangues, hormônios, fluídos, afetos, medos, ingenuidades, maturidades, entusiasmos, ternuras, deleites, dissabores, tédios, melancolias, tristezas, angústias, alegrias, imagens, ansiedades, pavores, fobias, efusões, inquietações, vacilações, frustrações, investigações, ruminações, questionamentos, surpresas, descobertas, vivências, segredos, intimidades, serenidades, levezas, alívios, descansos, cansaços, fadigas, insônias, decoros, libertinagens, petulâncias, ironias, sarcasmos, deboches, humores, risadas, ritmos, pausas, passeios, caminhadas, deslocamentos, paisagens, viagens, animais, encontros, abraços, beijos, sabores, gostos, goles de café, desencontros, desentendimentos, desacordos, discussões, conflitos, brigas, abandonos, indiferenças, choros, nós nas gargantas, vícios, virtudes, lugares, credulidades, incredulidades, memórias, civilizações, utopias, etc.: mãos que escrevem e o olhar atento que testemunha as palavras sendo jogadas no mundo. Em livros, encontramos pessoas, e por meio desses encontros, chegamos, por exemplo, em suas construções literárias articuladas em histórias atravessadas por personagens concebidos de acordo com os limites da própria imaginação, inclusive, e não raro, a abundância de personagens que transparecem a mais plena carência dos traços daquilo que nos cânones, nos tratados da boa convivência ou no simples bom senso, fruto da camaradagem amistosa e afável entre as pessoas, reconhecemos por humanidade – tal como quando um vilão ou uma vilã suscita nos leitores ou leitoras uma torrente de repulsa, indignação ou revolta. Mas, por incrível que pareça, não deixa de ser curioso o fato de que, mesmo um personagem repugnante, fruto da imaginação humana, logo, inventado por uma pessoa, consegue inflamar as paixões, e se reprovamos as suas atitudes, é porque, em nós, insiste viver uma pessoa que ainda tem sensibilidade.
Brazilian Portuguese Translations, Brazilian Portuguese
Translator #brazilianportuguesetranslations #brazilianportuguesetranslator